Estudar a Bruxaria e diferente de Praticar Bruxaria

E as vezes ainda precisamos explicar isso.

Estudar é importante. Conhecer mitologia, história, simbolismo, ervas, astrologia, oráculos, rituais e tradições amplia nossa percepção e nos protege de muitas ilusões. O conhecimento oferece estrutura, linguagem e direção. Ele nos mostra de onde vieram determinadas práticas, como foram desenvolvidas e quais consequências podem produzir.

Mas será que é isso? 
As Bruxas que são nossas antepassadas, as escravas dos últimos 200 anos, as plebeias da idade media, as curandeiras e parteiras senhorinhas brasil a dentro, maioria eram analfabetas, mulheres que não foram ensinadas a ler e escrever, que nunca pegaram um livro famoso, um grimorio pica das galáxias e nem nada, mas isso nunca fez delas menos sabias, elas praticavam e viviam lendo a natureza, os astros, o tempo, os ciclos lunares, as Estações, as pessoas e os animais.
Não estou dizendo que não é  importante ler e estudar, conhecer fundamentos ou apoiando preguiça para praticas vazias, mas estou mostrando que não  há quantidade de leitura capaz de substituir a experiência. Você pode conhecer todas as correspondências de uma planta e ainda assim nunca ter cultivado, tocado, colhido ou preparado essa planta. Pode decorar os significados de todas as cartas do Tarot e continuar incapaz de permanecer em silêncio diante de uma tiragem. Pode estudar os ciclos lunares durante anos e nunca ter parado para perceber como a Lua realmente movimenta seu corpo, seu humor e sua prática.
A Bruxaria não acontece apenas na mente, ela começa por la, porem ela ganha forma e força quando as mãos acendem a vela. Quando o corpo entra no círculo. Quando a voz pronuncia uma invocação e precisa sustentar aquilo que chamou. Acontece quando você observa o resultado de um ritual, reconhece os próprios erros, modifica a prática e tenta novamente.
É na vivência que o conhecimento deixa de ser informação e se transforma em sabedoria.
Parafraseando Morpheus do Matrix, Há uma diferença entre conhecer o caminho e Percorrer o Caminho.
Conhecer o caminho é saber o que deveria ser feito. Percorrer o caminho é lidar com aquilo que realmente acontece quando você começa a fazer.
Na teoria, todo ritual parece organizado. Na prática, a vela apaga, a concentração falha, o medo aparece, o corpo reage, o ambiente muda e as respostas nem sempre chegam da forma esperada. É justamente nesse encontro entre intenção e realidade que o praticante começa a desenvolver discernimento.
Quem nunca pratica não descobre seus limites. Não conhece sua própria linguagem mágica. Não aprende a diferenciar intuição de ansiedade, presença espiritual de expectativa, sinal de coincidência, silêncio de ausência.
A experiência não elimina o estudo. Ela dá sentido ao estudo.
Da mesma forma, praticar sem estudar pode levar à repetição vazia, à irresponsabilidade e à fantasia. Mas estudar sem praticar cria outro tipo de ilusão: a sensação de que saber falar sobre Magia é o mesmo que saber fazê-la.
Não é.
Você pode acumular livros, cursos, anotações e certificados. Pode conhecer palavras antigas, nomes de espíritos, sistemas complexos e centenas de correspondências. Mas, enquanto todo esse conhecimento permanecer apenas no pensamento, ele será uma possibilidade ainda não realizada.
A Bruxaria exige presença.
Exige observar a natureza para além das fotografias. Exige acompanhar os ciclos, realizar ritos, cuidar do altar, preparar oferendas, meditar, registrar sonhos, testar métodos e perceber resultados. Exige repetir uma prática até que ela deixe de ser uma encenação e passe a fazer parte da sua maneira de existir.
Vivência mágica não significa realizar grandes cerimônias todos os dias. Ela pode começar de forma simples: observar o nascer do Sol, acompanhar as fases da Lua, acender uma vela com consciência, fazer uma oração, cuidar de uma planta, preparar um banho, tirar uma carta e refletir honestamente sobre a resposta.
O essencial é deixar de tratar a espiritualidade como algo que acontecerá apenas quando você estiver completamente preparado.
A preparação absoluta não existe.
Muitas pessoas esperam saber mais, ler mais, comprar mais instrumentos ou encontrar o momento perfeito. Enquanto esperam, transformam o caminho espiritual em uma coleção de planos nunca realizados.
Comece com responsabilidade, respeito e consciência. Estude antes da prática, mas também estude depois dela. Registre o que sentiu, o que mudou, o que funcionou e o que precisa ser revisto. Permita que a experiência questione aquilo que você acreditava saber.
A verdadeira formação mágica acontece nesse movimento: estudar, praticar, observar, refletir e praticar novamente.
Não tenha medo de ser iniciante. Tenha medo de passar anos falando sobre um caminho que nunca teve coragem de percorrer.

Ewan Igran W.

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